O Führer, o batom e o putsch de 08 de janeiro de 2023
Por Fernando Lobato_Historiador
O golpismo está no
DNA dos fascistas por um motivo óbvio: eles odeiam a democracia e todo e
qualquer regime que se baseie na garantia e respeito aos direitos humanos.
A expressão “direitos humanos”, inclusive, quando pronunciada, costuma ativar o
gatilho de ódio e grosseria explícita que é típica dos membros desta seita que
foi, conforme a História do Século XX nos mostra, extremamente popular nas
décadas de 1920 e 1930. Seita esta que, para nossa surpresa e incredulidade, ressurgiu
das cinzas com grande força e vigor na atualidade.
O DNA do fascismo, porém,
não é constituído apenas de golpismo, mas também de vitimismo, instrumento
sempre acionado quando a estratégia golpista falha. Hitler apelou para o
vitimismo depois do putsch da cervejaria de 08 de novembro de 1923, ou
seja, depois do golpe fracassado que, assim como o putsch brasileiro de 2023,
também ocorreu no oitavo dia do mês. Coincidência? Talvez. Hitler se esmerou tanto
no vitimismo que, apesar de julgado e condenado, 08 meses depois estava de
volta às ruas da Alemanha para pregar o seu credo hediondo. (ver aqui)
A pena levíssima de
Hitler acabou resultando numa tragédia colossal, haja vista que milhões de
vidas foram ceifadas depois da sua chegada ao poder. O vitimismo dissimulado,
portanto, virou o jogo a favor dos nazistas e, graças a ele, Hitler não apenas
se livrou de uma longa temporada na cadeia como também serviu para propagandear
a sua condição de “messias” da Alemanha. No Brasil, os fascistas da atualidade fizeram
e fazem muito uso do vitimismo para alcançar seus objetivos e um bom exemplo
disso foi a suposta facada nas eleições de 2018.
Em março de 2025, em face da PGR e do STF
estarem cumprindo o papel que lhe cabem como defensores da ordem democrática, o
vitimismo dissimulado dos fascistas locais está sendo intensamente acionado.
Eduardo Bolsonaro se licenciou do cargo de Deputado Federal alegando a
necessidade de escapar da “ditadura” de Alexandre de Moraes enquanto seu pai, o
Führer verde e amarelo, alega que a sua condenação no julgamento aberto está
semana no STF, no seu caso particular, será um tipo de condenação de morte,
pois já alcançou 70 anos de idade. (ver aqui e aqui)
Tal sensibilidade e zelo com a vida humana não se viu da parte do Führer verde e amarelo, por
exemplo, por ocasião da pandemia da COVID-19, haja vista que, ao ser
questionado sobre o aumento crescente de mortes, respondeu com um “E DAÍ?”. Como
se vê, o vitimismo dissimulado dos fascistas verdes e amarelos é mera
estratégia propagandista para tentar escapar ou abrandar as punições que,
merecidamente, precisam ter um rigor adequado à gravidade dos crimes que eles coletivamente
praticaram entre 01 de janeiro de 2019 e
08 de janeiro de 2023.
Em
março de 2025, ou seja, no mês dedicado à luta das mulheres por mais respeito à
sua dignidade, os fascistas locais chamam atenção para o batom utilizado por
Débora Rodrigues dos Santos para pichar a estátua do STF com a frase “perdeu, mané” durante o putsch de 08 de janeiro de
2023. Ao focar no caráter inofensivo do batom e no fato da delinquente ser uma
mulher de 39 anos com dois filhos menores de idade, os fascistas buscam, obviamente,
influenciar a opinião pública no sentido de que o STF estaria agindo de forma
injusta e exagerada. (ver aqui)
O objetivo dos fascistas, portanto, não tem nenhuma relação com a mulher que colocaram nos holofotes, mas com o uso dela para atacar e fragilizar o Poder Judiciário com o fim de, indiretamente, beneficiar o Führer verde amarelo. Esta estratégia se mostra repugnante pelo fato de que, no mês da luta das mulheres, uma mulher foi instrumentalizada para benefício de alguém que, em três ocasiões diferentes, disse que não estruparia a Deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não tem o biotipo que lhe agrada. (ver aqui)
Os fascistas verde-amarelados por fora e por dentro, ou seja, estes que se orgulham em dizer que não são melancias, irão continuar apelando para o vitimismo dissimulado que os caracteriza, mas, na atual conjuntura brasileira, o STF e a sociedade brasileira precisam ter uma consciência histórica firme e consistente para não se deixar iludir, pois o fraquejo neste momento histórico poderá ter consequências desastrosas. Eis porque o nosso brado enquanto nação dever ser um só: ANISTIA NÃO! PUNIÇÃO BRANDA TAMBÉM NÃO!


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