A chacina de 28 de outubro e a nova tentativa de golpe do bolsonarismo


por Fernando Cabano

O bolsonarismo não tem nenhum apreço pela vida humana e a prova disto foram o “E DAÍ?” e o “NÃO SOU COVEIRO” de quem estava no Palácio do Planalto quando o povo brasileiro vivenciava o luto interminável provocado pela pandemia da COVID-19 (ver aqui e aqui).

A morte em grande escala não provoca comoção nos bolsonaristas porque, em vez de tristeza, o que costumam sentir é prazer com a desgraça coletiva. Quem já esqueceu da cena em que o infame e deplorável ex-presidente imitava, de forma cínica, uma pessoa padecendo de falta de ar? (ver aqui).

Não há como negar, portanto, que o bolsonarismo está identificado com o prazer que sente quando um número indiscriminado de pessoas morrem, especialmente quando são pretas e pobres. O uso do Deputado Hélio Negão como papagaio de pirata nas aparições públicas que o deplorável ex-presidente fazia, não afasta o racismo e o ódio aos pobres entranhado na essência do bolsonarismo.

Prova cabal disto foi dada pelo próprio numa resposta dada à finada cantora Preta Gil. Na ocasião, afirmou que seus filhos foram muito bem educados e que jamais se envolveriam amorosamente com uma negra. Chegou a sugerir, inclusive, que o relacionamento entre um homem branco e uma negra seria promiscuidade (ver aqui).

A matança indiscriminada de pessoas pretas e pobres resultante da ordem dada por Cláudio Castro, o bolsonarista governador do Rio de Janeiro, é somente mais um ritual feito em homenagem ao “deus” que o bolsonarismo quer colocar acima de todos os brasileiros e brasileiras.

Diz a Biblia que o diabo é o paí da mentira e das fake news, ou seja, que é um ser que falseia a realidade de todas as formas. O bolsonarismo, em face da habilidade que possue no falseamento da realidade, somado ao sádico prazer que sentem com a morte indiscriminada de pessoas, pode muito bem ser entendido como uma seita satânica.

E a habilidade no falseamento da verdade está sendo, mais uma vez demonstrada com a versão de Cláudio Castro de que agiu com o único fim de combater o crime organizado. Como acreditar nisto diante do fato do bolsonarismo ter como líder alguém que cumpre prisão domiciliar por ter sido condenado como chefe de uma organização criminosa extremamente perigosa ?.

É de conhecimento geral que a matança indiscriminada resultante da ordem de Cláudio Castro teve como fim expulsar o Comando Vermelho das favelas do Complexo do Alemão e da Penha. A questão é: Com o objetivo de libertar os seus moradores do domínio opressor que sobre eles é exercido?

Se os moradores das favelas do Complexo do Alemão e da Penha estiverem realmente livres, Cláudio Castro terá garantias de receber a esmagadora maioria dos votos para Senador nas eleições de 2026? Resposta: não terá.

E se a área passar a ser controlada pelas milícias cariocas, tal garantia existirá? Resposta: Se ele tiver o apoio das milícias, o voto de cabresto dos moradores será seu, tal como no tempo da República Velha. Como se sabe, o que não faltam são evidências e estudos sobre a relação muito próxima, para não dizer íntima, entre o bolsonarismo e o poder das milícias. O livro de Bruno Paes Manso diz muito a respeito (ver aqui).

Cláudio Castro, portanto, não trocou o PSC (Partido Social Cristão) pelo PL (Partido Liberal), em 26 de maio de 2021 à toa. O surreal foi ter trocado um partido que se diz cristão por um outro que, conforme dissemos acima, está servindo de abrigo para um movimento que tem todos os elementos de uma seita satânica. Se filiou numa cerimônia que teve a presença daquele que pode muito bem ser definido como chefe da representação do capiroto no Brasil (ver aqui).

A realidade, porém, é que a eleição de Cláudio Castro para o Senado Federal em 2026, terá de, primeiramente, afastar a inelegibilidade que pode ocorrer no julgamento do TSE de terça-feira, dia 04 de novembro (ver aqui).

O governador precisará ainda escapar das garras de Alexandre de Moraes, o Xandão, que está indo ao Rio apurar o descumprimento pelo governador dos termos da ADPF das favelas, regras estabelecidas pelo STF para diminuir a letalidade das ações policiais realizadas no Rio de Janeiro (ver aqui e aqui).

Para além das evidências de que a chacina de 28 de outubro teve uma finalidade eleitoreira, chama a atenção o fato da mesma ter ocorrido em data muito próxima do seu julgamento por compra de votos no TSE. Estaria Castro querendo criar a narrativa de que o TSE pretende cassá-lo porque ele supostamente é um inimigo do crime organizado?

Somado a isto, há o fato da chacina ter provocado um número recorde de mortes, maior até que a do Massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992 (ver aqui). Castro agiu com o fim de afrontar deliberadamente a ADPF das favelas para atrair o STF e de alguma forma tentar desacreditar a autoridade de Alexandre de Moraes a partir de falsas narrativas o vinculando ao  Comando Vermelho?

Vale aqui lembrar que Alexandre de Moraes foi enquadrado pelo governo Trump na Lei Magnitsky por supostamente ter atentado contra os direitos humanos dos bolsonaristas. Mas é fato também que a lei é utilizada por Washington para justificar o combate a organizações supostamente terroristas.

De repente, políticos bolsonaristas passaram a defender uma lei para equiparar facção criminosa com organização terrorista (ver aqui). Vale ainda lembrar que, dias antes da chacina ordenada por Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro, filho Senador do deplorável ex-presidente, sugeriu que seria bom que Trump enviasse navios de guerra ao Rio de Janeiro para supostamente combater o tráfico de drogas (ver aqui).

A fala de Flávio seria uma espécie de apito de cachorro para o início de ações com o fim de desestabilizar a realidade brasileira, especialmente no momento em que o governo de Lula vem aumentando os seus índices de aprovação? Uma possível evidência de que a fala de Flávio pode ter sido um apito de cachorro está na reunião dos governadores bolsonaristas para defender a ação de Cláudio Castro (ver aqui).

Diz o ditado popular que o diabo nunca dorme e, portanto, não custa nada ficarmos atentos aos movimentos do bolsonarismo, especialmente porque, após a ligação dos pontos que unem os fatos aqui relatados, forma-se um quadro que nos permite desconfiar que eles estão tentando criar um cenário favorável para um nova tentativa de golpe.

Fiquemos atentos e mobilizados!


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