Ainda estamos na democracia
Por Fernando Lobato_Historiador
A justa e merecida consagração do filme “Ainda estou aqui” na 97ª cerimônia do Oscar ocorreu num momento histórico pra lá de oportuno em face da permanência das ameaças do fascismo tanto no Brasil quanto no mundo. Não fosse o fracasso do projeto golpista iniciado com o impeachment de Dilma Roussef em 2016, a violência covarde e brutal praticada pelo estado contra a família Paiva na década de 1970 poderia, em 2025, ser parte do nosso cotidiano.
O fascismo é um fenômeno produzido por grandes corporações privadas internacionais quando seus interesses se encontram ameaçados. Nas décadas de 1920 e 1930, o gérmen do fascismo foi o temor em relação a U.R.S.S, enquanto, na atualidade, é fruto da histeria que a expansão da China causa nos grandes oligarcas do capitalismo global. No xadrez geopolítico do momento, o Brasil é visto pelo trumpismo como uma peça que se desgarrou perigosamente, razão pela qual nos tem como um de seus alvos principais.
O neofascismo trumpista tem como objetivo central o restabelecimento das correntes com as quais o império nos manteve aprisionados, especialmente durante o período da ditadura militar. Na prática, trata-se de uma reedição da Doutrina Monroe de 1823 com uma conotação mais cínica e despudorada, ou seja, “A América para os interesses das grandes corporações privadas dos EUA".
Eis porque Washington patrocina e promove fantoches no mundo político latino-americano com o fim de servirem como cavalos de troia, ou seja, facilitadores do saque e pilhagem que pretendem realizar onde isto se mostrar possível. Não por acaso, uma característica comum tanto no argentino Milei quanto no clã Bolsonaro é o viralatismo explícito em relação a Trump. Nenhum deles emite nenhum “latido” sem antes receber instruções do império. Tais figuras, como sabemos, com cinismo insuperável, ainda se vendem como defensores da pátria e da família. Tamanho viralatismo, todavia, é importante destacar, não se dá de forma gratuita, haja vista que são muito bem recompensados pelo servilismo e submissão.
Por tudo isso, a conquista do Oscar de melhor filme internacional por “Ainda estou aqui” é um fato de grande relevância neste momento, especialmente porque nos sensibiliza coletivamente sobre o valor e importância da democracia. Como consequência, serve também para nos alertar e mobilizar não apenas para uma resistência coletiva contra o trumpismo e seus cavalos de troia introduzidos no Brasil, mas, sobretudo, para a necessidade de uma punição rigorosa nos envolvidos no golpismo de 08 de janeiro de 2023

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