O novo capítulo da guerra do mercado contra o povo brasileiro
O estado brasileiro tem como missão ou objetivo fundamental construir, conforme o artigo 3º da nossa constituição, uma sociedade livre, justa e solidária a partir de um desenvolvimento nacional capaz de erradicar a pobreza e a marginalização social, todavia, na ótica do mercado financeiro, tal missão deve estar limitada à defesa dos interesses das corporações privadas por ele representadas. Tal ótica autoritária está fundamentada no mandamento da “religião” neoliberal que diz que o estado deve ser mínimo ou, de preferência, microscópico, porque tudo o que exceder tal condição tenderia para o “comunismo”, haja vista que, segundo essa “crença” pra lá de exótica, as “virtudes da qualidade e da eficiência estariam restritas ao setor privado da economia”.
Temendo o viés autoritário e fundamentalista do mercado, Lula e o PT assumiram o poder, em 2003, acendendo muitas velas para o “deus” venerado pelas elites (o dinheiro), razão pela qual não adotaram uma agenda política “vermelha”, apesar da extrema necessidade dela num país marcado profundamente por seu passado colonial e escravocrata. Antes mesmo de chegar ao Planalto, Lula e o PT escreveram, em junho de 2022, a famosa “carta aos brasileiros” que, traduzida do politiquês para o idioma historiográfico, foi lida como “bandeira de paz aos banqueiros”. O governo Lula 1, portanto, abriu mão da agenda “vermelha” inscrita na bandeira do PT para adotar outra de tom “róseo pálido”, ou seja, com predomínio do branco da paz sobre o vermelho da justiça social.
O mercado financeiro e as elites, porém, apesar da quantidade de velas acesas ao seu “deus”, continuou vendo Lula como inimigo por conta da sua insistência em por um pouco de “vermelho” no “branco da paz”, apesar disso ter se mostrado, na prática, algo bom tanto a nossa população sofrida e carente quanto a nossa economia. Eis porque, apesar disso, as tramas golpistas contra a permanência de Lula no Planalto não deixaram de ser urdidas, mas, como sabemos, não prosperaram e acabaram em fracasso nas eleições de 2006, 2010 e 2014 por um motivo simples: apesar da pouca quantidade de “vermelho”, ela fez toda a diferença na realidade de um país onde o estado, via de regra, está de costas para o seu povo.
Por conta de um processo que carece de maior estudo, Lula e o PT voltaram ao Planalto 20 anos depois da primeira subida de rampa. Tal como antes, tiveram que acender muitas velas ao “deus” das elites, mas, apesar disso, ela insiste em tratá-lo como inimigo por causa da sua insistência em lembrar um pouco do vermelho da bandeira do partido que fundou em 1980. Os dados revelados pela Polícia Federal recentemente (ver aqui) demonstram que a vontade de assassinar e sepultar a nossa frágil democracia continua intensa no seio das elites. Como ela sobreviveu, o mercado financeiro, junto com seu serviçal no Banco Central dito autônomo, Roberto Campos Neto, operam freneticamente para abreviar o governo Lula 3.
A manutenção da taxa selic nas alturas com o fim de gerar desequilíbrio fiscal junto com a especulação feita com o dólar logo após Haddad anunciar o pacote de corte de gastos que lhe foi exigido (ver aqui), são evidências mais do que claras da intenção de desestabilizar a nossa economia a partir de uma crise criada artificialmente. A mídia hegemônica, sempre empenhada em ocultar a canalhice do mercado, diz que o mau humor dele resulta dos seus erros de análise. A questão é que não tem erro de análise nenhum, pois o mau humor do mercado se dá porque, apesar da sabotagem que opera, a realidade não piora do jeito esperado. O crescimento do PIB no último trimestre é um bom exemplo (ver aqui).
Para mais informações sobre essa questão:


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